::.. HISTÓRIA ..::
G.R.C.E.S. UNIÃO IMPERIAL
Fundação: 12/03/1976 - Cores: Verde, Rosa e dourado
Títulos: 198019851986198719881989199319941997
R. São Judas Tadeu, 20/26 - Marapé - 13 3349-3360

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O Bloco Carnavalesco Dengosas do Marapé já não desfilava há onze anos. E os dias de glória dos foliões do G.R.E.S. Unidos da Ponte Vermelha e do B.C. Embaixada de Santa Thereza também já eram parte do passado.

Com isso, uma das alternativas mais comuns para a geração de sambistas que surgia por ali – muitos deles, filhos dos integrantes destes antigos blocos – era encontrar o som de surdos e tamborins em outras partes da cidade. Este grupo não só fortalecia escolas de samba como a Brasil e a Império do Samba, como ainda chamava a atenção da cena musical da cidade, que já havia notado a “vocação” do bairro em revelar talentos.

O bloco Diabos da Vila Mathias também sabia disso. E por meio de seu Diretor Magú e de Marco José de Souza, resolveu convidar alguns marapeanos para suas fileiras. Entre eles, Haroldo Medeiros, José Eduardo Bento, Jorge Jeremias de Campos (Simonal), Wanderley de Oliveira e Wilson de Oliveira, que contribuíram naquele ano para uma bela apresentação do bloco de cor vermelha.

A ótima repercussão do desfile despertou na comunidade do Marapé um sonho antigo: ver nascer em seus domínios um novo autêntico reduto do samba, capaz de trazer seus “filhos” de volta.

Assim, na tarde de 12 de março de 1976, reunidas no número 20 da Rua São Paulo, 27 pessoas decidiram tornar este sonho uma realidade.

A “união” entre as comunidades de Marapé e Vila Mathias – lembrada por Simonal – e a ligação “imperial” dos presentes com a Império do Samba – sugerida por Marco José – batizava naquele momento a mais nova agremiação de Santos: o Grêmio Recreativo Escola de Samba União Imperial.

As cores oficiais seriam o verde, o rosa – em homenagem à Estação Primeira de Mangueira, que possuía a simpatia da maioria dos que lá estavam – e o dourado. Seu símbolo, uma águia. E Medeiros, que havia cedido a casa para aquele encontro, tornou-se o primeiro presidente.

Além de Medeiros, José Bento, Simonal, Wanderley, Wilson e Marcos José, também assinaram seu nome na história, como fundadores: Alcino Simões, Alcione Gonçalves Fernandes, Antonio Duarte de Almeida, Aparecida Conceição Miranda, Carlos Alberto Quintal, Célio Silva, Diomar Luísa Campos, Francisco Carlos dos Santos, Gilberto Barroso, José Alves dos Santos, José Carlos Leite Medeiros, José Fernandes Duarte, Josué Almeida de Melo, Manuel Barros de Almeida, Mauro Alonso, Maurino Matias, Odil Proost de Souza, Pedro César da Silva, Sérgio Antunes, Wilson Siroma e Valdir Alves Capela.

O PRIMEIRO DESFILE
Nossa raiz tem muita força: Marapé...
Ousadia dos fundadores e envolvimento da comunidade, que prontamente “abraçou” a causa. Esta combinação foi decisiva para que a União Imperial não se tornasse somente uma breve página no Carnaval santista.

Em 25 setembro de 1976, o primeiro fato marcante: uma comitiva formada por baluartes da Mangueira desembarcava no Salão Nobre da Associação Atlética Portuguesa, em Santos, para batizar sua mais nova afilhada. Delegado, Dona Zica e Bira da Mangueira foram saudados com o primeiro dos muitos sambas que ecoariam pelo Marapé, de autoria de Marco José de Souza:

“Parabéns a você, parabéns, ôô
Parabéns a você, a Mangueira chegou...
Abram alas minha gente, quem faltava chegou
É a rainha do samba, é a Mangueira sim senhor...
Verde e rosa é tradição, verde e rosa é Mangueira
Verde e rosa é união e União não é brincadeira...”
Após esta noite memorável, a União Imperial começou a se preparar para o seu maior desafio até então: o desfile de estréia, em 1977. O primeiro ensaio de que se tem notícia aconteceu na esquina das ruas Carvalho de Mendonça e Alberto da Veiga. Depois, seguiu-se uma proposta das primeiras reuniões, com os ensaios acontecendo alternadamente no Marapé e Vila Mathias.

Apesar de integrar as comunidades, a medida durou pouco. Dificuldades técnicas e administrativas fizeram com que a agremiação ficasse definitivamente em solo marapeano. A decisão afastou alguns, mas, por outro lado, aproximou ainda mais nomes que se tornariam, ao longo dos anos, fundamentais para a escola.

Caso de Elizabeth Chagas Bento, a “Tia Iza”, que “cedeu” o terreno em frente a sua casa, na esquina das ruas Heitor Penteado e Benedito Ernesto Guimarães, para que a União continuasse ensaiando. A hospitalidade foi tanta – nas noites de chuva, a bateria se abrigava sob o teto da garagem –, que Tia Iza se tornou madrinha da verde e rosa.

As poucos, as peças se encaixavam: a batuta de Simonal dirigia os ritmistas da bateria; Chocolate tornou-se mestre-sala, formando par com a porta-bandeira Verinha - a primeira convidada para conduzir o pavilhão, Ritinha de Miçangas, não chegou a se apresentar oficialmente. E Marco José de Souza compôs “Nas Páginas Antigas”, o primeiro samba-enredo oficial.

Ao pisar pela primeira vez na avenida, a escola também já contava em suas alas com um trio de amigos nascido e criado no Marapé: Heldir Lopes Penha, o “Aldinho”; Daniel Ferreira Barbosa Júnior, o “Zinho”; e Ricardo Peres. Era o início de trajetórias também importantes: o primeiro se tornou o presidente que ficou mais tempo à frente da escola; e os outros dois, depois de passarem pela bateria e harmonia, se destacaram como compositores de sambas-enredo e intérpretes oficiais da verde e rosa.

O desfecho da estréia foi surpreendente: a escola de samba do Marapé conquistou o vice-campeonato do Grupo Dois. Na época, a colocação não fazia com que a escola subisse para o grupo principal, mas, isto talvez não fosse tão relevante naquele momento. O mais importante para todas aquelas pessoas foi chegar à dispersão com a certeza de ter cumprido a primeira etapa.

E a história estava só começando...

A QUADRA E O ACESSO AO GRUPO 1
"O amanhã tem que ser hoje..."
As escolas mais tradicionais da época faturavam alto nos chamados “sambões”. Fundadores e diretores da União sabiam disso e sonhavam com um espaço próprio, para que a verde e rosa pudesse crescer.

Desde a fundação, a bateria era a principal fonte de recursos financeiros para a escola. Concorridas apresentações no IT Clube e diversos shows em outros locais contribuíram para reforçar o caixa. Não por acaso, das fileiras de ritmistas despontaram diversos nomes que se destacariam também em outros setores da verde e rosa.

Nos dois carnavais seguintes – em 1978, com o 3º lugar de “Ontem, Hoje e Sempre” e 1979, com o vice-campeonato de “Sonho da Goméia”, a escola ainda teve que adiar seus planos. A atuação dedicada de diretores, componentes e benfeitores sinalizava, porém, que a promoção ao Grupo 1 seria apenas questão de tempo.

Deste período, merecem lembrança também a inauguração da barraca de praia da União Imperial, localizada em frente ao Edifício Universo Palace, no bairro do José Menino, que rapidamente se transformou em outro ponto de encontro; e o "batismo" da Ala de Compositores, que teve como madrinha a G.R.E.S. Beija-Flor de Nilópolis, do Rio de Janeiro.

O ano de 1980 registra um acontecimento fundamental para a vida da União: a doação do primeiro terreno para construção da Quadra, na Rua São Judas Tadeu. A conquista, um comodato de 100 anos junto à Prefeitura Municipal, envolveu o então presidente Ronald Peres, o prefeito Paulo Gomes Barbosa e os vereadores Eduardo Castilho Salvador, Athiê Jorge Cury e José Gonçalves – então presidente de honra da agremiação.

Além deles, muitas pessoas contribuíram na transformação daquele terreno baldio numa verdadeira sede: o patrono Jorge Rodrigues do Vale; os irmãos Canuto; Mauro, Mário e Mariovaldo Alonso; Pedro Pacheco, Labruna e Fubá, entre outros.

"O Calendário" parecia trabalhar a favor da escola, literalmente. Após ensaiar provisoriamente durante meses em frente à Sociedade de Moradores do Marapé - a chamada “Sedinha” -, a escola despontou na avenida contando a história das datas comemorativas,– o primeiro samba-enredo escolhido em Concurso. Ao final da apuração, era a própria União Imperial quem ganhava uma data a mais para festejar: campeã, foi promovida ao Grupo Principal. De onde nunca mais saiu.

Em 1981, a quadra – batizada com o nome de Elizabeth Chagas Bento, “Tia Iza”, num reconhecimento à dedicação de sua madrinha - começou a ser utilizada. A União estreou no grupo de elite trazendo “Chuvas de Prata” e obteve o 4º lugar. Depois, dois quintos lugares: em 1982, com “Brasil Folclórico” e, em 1983, defendendo o enredo “1900 e Antigamente”.

Neste período, durante a administração de Mauro Alonso, a infra-estrutura da quadra ficou praticamente pronta. E apta a receber apresentações de sambistas de renome nacional. Coube à Clementina de Jesus a honra de inaugurar o palco da verde e rosa, em 1983. Posteriormente, vieram Elza Soares, Originais do Samba, Exportasamba e Germano Mathias, entre outros.

Propositadamente, a União ensaiava em dias da semana que não coincidiam com nenhuma das escolas mais antigas. E depois de uma sugestão de Ruy de Rossis, a escola adotou cobrança de ingressos nos ensaios - iniciativa que se reverteria numa preciosa fonte de renda, em pouco tempo.

Além disso, as boas relações de diretores e componentes trouxeram colaboradores como Mesquita, Bechir, Lino Alonso, Mesquitinha, Sérgio Formiga, Mário Assef, Irani Silva e alguns jornalistas da Baixada Santista. A repercussão dos ensaios passou a motivar a presença de moradores de outros bairros como Gonzaga, Boqueirão e Ponta da Praia.

Por fim, uma ousada parceria garantiu o aporte financeiro que faltava para a cobertura e ampliação do local. Nilson Charré – que assumiria a presidência no ano seguinte – trouxe a Coca-Cola para explorar a comercialização de bebidas na quadra. Em dois anos, a União Imperial seria a maior revendedora de cerveja Kaiser do Brasil.

Mais estruturada, motivo de orgulho para a comunidade e com o número de simpatizantes aumentando cada vez mais, a escola entrou confiante na avenida em 1984, com o enredo “Vira, Gira, Vem Girando” correspondeu às expectativas. Num desempate garantido pelas notas do quesito bateria, a escola obteve o vice-campeonato do 1º Grupo, colocando-se pela primeira vez à frente de adversárias tradicionais.

O PENTACAMPEONATO 1985/1989
"O mundo vai vibrar com a nossa vitória..."
Os ensaios para o desfile de 1985 consolidaram uma revolução participativa no carnaval de Santos. Graças à verde e rosa, escolas de samba se transformou num hábito não mais restrito às comunidades próximas – e sim, numa realidade no convívio sócio-cultural de toda a Baixada Santista.

Encontrar personalidades influentes de diversos segmentos nos ensaios era uma cena comum na época. O conceito do “bom, bonito e barato” havia emplacado. Faltava buscar o título.

Com sede de vitória, a União Imperial adentrou a avenida defendendo seu enredo sobre astrologia e magia – “Amanheceu, hoje é ontem”.

Com um conjunto refinado, irreverente e contagiante – características que se tornaram marcantes a partir dali – conquistou o público e obteve o reconhecimento dos jurados. A espera chegava ao fim: a escola de samba do Marapé, com apenas nove anos de vida, era a campeã do Grupo 1.

Ainda que a disputa para o ano seguinte já desse sinais de acirramento, a União aproveitou o bom momento para valorizar seu patrimônio: comprou o terreno vizinho e ampliou sua Quadra. O efeito foi imediato: seus sambões “ferviam” como nunca aos sábados. E quase 4 mil pessoas prestigiaram a final da disputa de samba para “Assim Dizia o Poeta”, enredo que enumerava os motivos que levavam o homem a escrever poesias.

A diretoria teve trabalho desmembrando setores para abrigar os novos componentes. Uma das alas chegou a ser dividida em seis setores, para acomodar 1078 foliões. E o caixa, reforçado, trouxe originalidade e criatividade às alegorias e fantasias, cuja procura já era muito maior do que a oferta.

Enfim, o que se viu na noite de 09 de fevereiro de 1986, na opinião de muitos, foi o ápice de uma escola de samba na história do carnaval paulista. “Mais do que poesia, a União Imperial mostrou que chegou para marcar uma nova época no concurso oficial de escolas de samba”, resumia o jornal Cidade de Santos de 11 de fevereiro de 1986. Resultado: bicampeã.

Novas regras - Na divulgação do regulamento de 1987, a Liga das Escolas de Samba de Santos instituiu a diminuição do tempo de desfile. E a União Imperial, pela grande quantidade de componentes, era uma das agremiações que mais teria de se adeqüar às novas condições.

Ao contar a história da cachaça em “As Águas Vão Rolar”, não abriu mão de carros alegóricos imponentes nem de alas numerosas, mas os adaptou às novas exigências de harmonia e evolução. No fim das contas, o tri-campeonato veio justamente graças a vantagem mínima de um ponto em relação à segunda colocada (198 a 197).

A fórmula seria mantida nos dois anos seguintes, garantindo um contundente penta-campeonato. Não se trataram de “desfiles técnicos” porém. O termo - que ganhou força na década de 90 com apresentações “frias” para o público, mas sob medida para os juízes – não combinava com a verde e rosa do Marapé.

Ainda mais em um enredo como o de 1988. “Viva o Rei”, homenagem aos 39 anos do “mandato” de Waldemar Esteves da Cunha como Rei Momo de Santos. Mesmo começando sua apresentação às 10h da manhã por conta de atrasos da programação, a escola emocionou a todos reverenciando Sua Majestade. Várias das 28 alas curvaram-se diante do palanque da corte carnavalesca.

A repercussão positiva foi tanta que os jornais da época anunciavam o tetra antes mesmo da apuração: “Foi a única escola que levantou, pela primeira vez, todo o público das arquibancadas”, dizia A Tribuna.

Dito e feito. E a conquista encerrou dois ciclos fundamentais na trajetória da agremiação. Depois de quatro títulos em quatro anos de mandato, Antonio de Souza Jr. deixava a presidência. Com ele, também despedia-se Marco Aurélio Bezerra, o “Marcão” carnavalesco de todas as conquistas no Grupo 1 até então. A presidência, então, foi reassumida por Mauro Alonso; e Da Mata, que era auxiliar de barracão há seis anos, tornou-se o carnavalesco.

“E a vida se leva dançando”, enredo de 1989, era um tema bem propício àquele momento de transição, na escola e no país. O Plano Collor havia encarecido a matéria-prima para alegorias e fantasias, o que demandou um pouco mais de trabalho na composição dos oito carros, treze tripés e das vestes de 3,5 mil componentes.

A escola foi prá avenida disposta a evitar novas surpresas. E ao término de sua apresentação, protagonizou uma cena bem familiar: dia amanhecendo, público em êxtase e gritos de “É Campeã!” já na dispersão. E o resultado não poderia ser outro...

Pentacampeã, antes de completar 15 anos de fundação. A seqüência inesquecível foi um dos maiores feitos da história do Carnaval santista, que até hoje orgulha e emociona a comunidade verde e rosa.

Um sentimento que se traduziria também em perseverança e dignidade, a partir do ano seguinte.

ANOS 90, DISPUTA ACIRRADA
"Sou de fato e de direito, osso duro de roer"
Sátira aos brasileiros sempre dispostos a levar vantagem em tudo, “De Camelo à Camelô” era o enredo de 1990, novamente com uma proposta plenamente adequada à verde e rosa. O samba era bem popular e o tema, explorado de maneira bem-humorada, renovava a confiança de todos.

Por conta de uma atraso nunca visto na história dos Desfiles de Santos, porém, a União Imperial pisou na avenida ao meio-dia - embora a programação oficial previa inicialmente a entrada para às 4h da manhã. Sob um sol de 40º e umidade do ar baixíssima, a escola desfilou com muita garra, ainda que isso tenha custado uma série de desmaios em sua ala de baianas, intérpretes e ritmistas. Prejudicada por um atraso que não provocou, a escola acabou em terceiro lugar, adiando o sonho de mais um título.

O estilo consagrado no pentacampeonato ainda seduzia o público. Prova disso é que as pesquisas de arquibancada seguiram apontando a escola como favorita ao título nos anos de 1991 e 1992. Mas os critérios de julgamento tornavam-se cada vez mais polêmicos, ao mesmo tempo que outras agremiações acirraram a disputa para quebrar a hegemonia obtida pela União na época. A taça passou perto do Marapé, mas “Às Suas Ordens Meu Amo” e “Brincadeira é Coisa Séria” renderam à escola o vice-campeonato e o terceiro lugar, respectivamente.

A Verde e Rosa procurou se adaptar às novas condições e chegou a um consenso em 1993. Tributo aos compositores populares, “Aos mestres com carinho” foi um enredo tratado de maneira bastante poética, da comissão de frente ao último carro. Em entrevista ao jornal “A Tribuna”, Heldir Lopes Penha que havia voltado à presidência no ano anterior, resumia bem a nova proposta: “encontramos um meio-termo”, dizia.

Na passarela, a União trocou a preocupação excessiva pela alegria, conteve o gigantismo em nome da leveza e, como conseqüência, voltou a desfilar mais “com” do que “para” o público. E assim, chegou ao sexto título de sua história no Grupo Principal.

Já em 1994, a escola voltou às manchetes como bi-campeã. Num enredo celebrando o centenário do jornal A Tribuna, “Do Sonho à Realidade... 100 anos de Notícias”, reviveu fatos marcantes da história de Santos e do Brasil dividida em 17 alas, doze carros alegóricos e cerca de 2,5 mil componentes.

A escola voltou a encontrar a luz do dia, mas desta vez, a história foi bem diferente do drama vivido em 1990, com o sol a pino. A bateria da Verde e Rosa – que havia sofrido com os desmaios naquela ocasião –garantiu o par de notas dez que desempatou a apuração. A vice-campeã obteve a mesma pontuação – 197 pontos – mas recebeu um “9” no quesito decisivo.

Antes do Desfile das Campeãs, circulou a notícia de que a verde e rosa havia cedido matéria-prima para a G.R.E.S. Brasil, que enfrentou dificuldades financeiras com a verba municipal. Apesar da solidariedade demonstrada em relação a uma co-irmã de estreitos laços, o gesto demonstrava sinais da falta de atenção das autoridades para com o Carnaval, antecipando a crise que viria anos depois.

VITÓRIA EM 97. E O “FIM” DOS DESFILES
"O que passou se passou, o vento levou..."
O panorama da disputa na passarela não se alterou muito na segunda metade da década de 90. A União manteve seguiu brigando pelos títulos na passarela. Fora dela, as polêmicas continuavam.

Em 1995, novamente a escola saiu da passarela como favorita após trazer um original enredo sobre a história do papel - “Na magia da avenida, os papéis que envolvem a vida”. Contudo, boatos sobre pontos perdidos antes mesmo da abertura dos envelopes quase comprometeram a apuração, principalmente após a confirmação dos resultados, que colocaram a Verde e Rosa em segundo lugar.

Para se ter uma idéia do clima desta apuração, o jornal D.O. Urgente publicou: “Fora do Teatro Municipal havia uma verdadeira torcida organizada. De um lado do canal, se posicionava a turma da União, identificada através de camisetas. Do outro, os torcedores das demais escolas que, em coro e anonimamente vibravam enquanto a grande líder do Marapé era ultrapassada”...

No ano seguinte, mais confusão. O 4º lugar obtido com o tema “Quem não tem roupa nova, passa o ferro na velha” ficou praticamente em segundo plano, depois de sete recursos impetrados durante a divulgação dos resultados. Um deles tirou cinco pontos da União, por conta de uma fantasia supostamente irregular. A diretoria levou a peça para que a mesa apuradora pudesse analisar o caso, mas de nada adiantou. Ao final de cinco horas de apuração, vários dirigentes de agremiações demonstraram seu descontentamento à Comissão de Carnaval.

Tudo isso proporcionou uma nova reciclagem. O desgaste dos últimos anos era evidente e a escola resolveu voltar às origens em 1997, defendendo um enredo sobre as origens do Carnaval desde a Idade Média, passando pelas exuberantes festas em Veneza e Florença, até chegar ao Marapé.

O título não poderia ser mais propício: “Meu destino é ser feliz, Carnaval, uma paixão nacional”. A mobilização verde e rosa se concentrou apenas em realizar um grande desfile, alheio aos desagradáveis episódios anteriores. E bastou o refrão ecoar no sistema de som, por volta das 4h da manha, para que a escola tivesse a certeza de que estava no caminho certo. A escola, “mordida”, recebeu notas 10 em todos os quesitos, sagrando-se pela campeã pela nona vez – oito pelo grupo principal.

Em 1998 a escola trouxe o tema “O Mundo Mágico do Circo”, obtendo o vice-campeonato. E em 2000, narrando as origens africanas do Brasil, ficou em quarto lugar em “Mãe África”. Em 1999 e durante o período de 2001 e 2005, por conta do descaso das autoridades, da falta de organização interna da liga e das próprias escolas, não houve concursos, lamentavelmente.

Para descrever as dificuldades que uma escola de samba como a União Imperial teve diante de um período tão longo sem a sua principal fonte de arrecadação, seria necessário um capítulo à parte. Felizmente, a comunidade do Marapé “abraçou” a escola e garantiu seu funcionamento nos “anos do silêncio”.

EM 2006, A RETOMADA
Somente em 2006 ocorreu a retomada do Desfile das Escolas de Samba. A União Imperial reencontrou seu público com o enredo "Aplausos! Luz, Câmera, Ação... com Serafim Gonzalez, vem contracenando a União" – e conquistou o vice-campeonato, com 169 pontos.

Foi um retorno emocionante, com um desfile que prestou uma justa homenagem a um dos mais ilustres moradores do bairro do Marapé, valorizando também as raízes da comunidade que soube fortalecer a agremiação durante estes cinco anos de ausência. A escola desfilou também em Itanhaém, cidade que muito inspirou a obra de seu homenageado, numa exibição que cativou as arquibancadas.

 

G.R.C.E.S. UNIÃO IMPERIAL
::.. INSTITUCIONAL ......................................................
Fundação:  12/03/1976
Escola Madrinha:  Estação 1ª de Mangueira
Cores:  Verde, Rosa e dourado
Mascote:  Águia
Endereço:  R. São Judas Tadeu, 20/26 - Marapé
Telefone:  13 3349-3360
Internet:  http://www.uniaoimperial.com.br/
::.. EQUIPE ...................................................................
Presidente:  no consta
Diretor de Bateria:  no consta
Diretor de Harmonia:  no consta
Intérprete:  no consta
Rainha de Bateria:  no consta
Mestre-Sala:  no consta
Porta-bandeira:  no consta

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